Questionamentos:
Como
os estudantes aprendem? Por que aprendem? Quando aprendem? O que os
professores podem ou devem fazer para que aprendam? Os professores
são conscientes dos seus modelos pedagógico e epistemológico? Qual
modelo pedagógico que utilizam nas suas aulas? Qual o modelo
pedagógico que o estudante espera do professor?
Modelos
pedagógicos e modelos epistemológicos
Becker
(2001, 2012) destaca diferentes formas de representar a relação
entre ensino e aprendizagem escolar no exercício da docência e nas
atividades de sala de aula: a) pedagogia diretiva;
b)
pedagogia não diretiva e;
c)
pedagogia relacional ou construtivista.
Estas
concepções podem constituir-se por epistemologias do senso comum,
empiristas (a), aprioristas (b), ou por epistemologias críticas (c),
como a construtivista ou relacional de base interacionista.
No
modelo pedagogia diretiva, o professor é transmissor do conhecimento
através de conteúdo conceitual, acreditando com frequência que a
capacidade de conhecer é inata. Com isso, o empirismo justifica o
aumento dos conhecimentos.
O
modelo pedagogia não-diretiva está mais nas concepções
pedagógicas, psicológicas e epistemológicas do que na prática de
sala de aula porque se trata de concepções subjacentes, mas pouco
aplicáveis na prática. Acredita-se que o aluno já traz um saber ou
uma capacidade de conhecer e, por isso, o professor deve interferir o
mínimo possível. “Qualquer ação que o aluno decida fazer é, a
priori, boa, instrutiva. É o regime do laissez-faire: deixar fazer,
que o aluno encontrará por si mesmo o caminho”.
O
apriorismo fundamenta epistemologicamente este modelo, visto que
considera o que vem a priori, a bagagem hereditária.
A
pedagogia relacional propõe aos alunos a liberdade para explorar os
materiais, com ampla troca de ideias a respeito, participação
coletiva, e diferentes aspectos problemáticos propiciados pelos
materiais. Neste modelo, a presença do professor não se esgota nele
mesmo, mas se prolonga nas ações dos alunos, já que compreende que
o aluno só construirá algum conhecimento novo, se agir e
problematizar a própria ação, apropriar-se dela e de seus
mecanismos íntimos. A condição prévia para isso, é que o aluno
consiga assimilar o problema proposto para que responda para si
mesmo, promovendo a acomodação. Assim, a aprendizagem é
viabilizada pela construção de estruturas cognitivas realizadas no
plano do desenvolvimento. “Professor e aluno determinam-se
mutuamente, mediados pelos conteúdos. Sujeito e objeto não existem
antes da ação do sujeito e não serão mais os mesmos após essa
ação. A consciência não existe antes da ação do sujeito”.
Becker (2012) ressalta que o suporte deste modelo se encontra na
psicologia genética de Piaget, onde o aluno só construirá um
conhecimento novo, se agir e problematizar sua ação.
Referência(s):
BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos.
BECKER, Fernando. Educação e construção do conhecimento: revista
e ampliada. 2 ed. Porto Alegre: Penso, 2015.
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