quinta-feira, 21 de março de 2019

14/03/2019_ Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos


Questionamentos:
Como os estudantes aprendem? Por que aprendem? Quando aprendem? O que os professores podem ou devem fazer para que aprendam? Os professores são conscientes dos seus modelos pedagógico e epistemológico? Qual modelo pedagógico que utilizam nas suas aulas? Qual o modelo pedagógico que o estudante espera do professor?

Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos

Becker (2001, 2012) destaca diferentes formas de representar a relação entre ensino e aprendizagem escolar no exercício da docência e nas atividades de sala de aula: a) pedagogia diretiva;
b) pedagogia não diretiva e;
c) pedagogia relacional ou construtivista.
Estas concepções podem constituir-se por epistemologias do senso comum, empiristas (a), aprioristas (b), ou por epistemologias críticas (c), como a construtivista ou relacional de base interacionista.
No modelo pedagogia diretiva, o professor é transmissor do conhecimento através de conteúdo conceitual, acreditando com frequência que a capacidade de conhecer é inata. Com isso, o empirismo justifica o aumento dos conhecimentos.
O modelo pedagogia não-diretiva está mais nas concepções pedagógicas, psicológicas e epistemológicas do que na prática de sala de aula porque se trata de concepções subjacentes, mas pouco aplicáveis na prática. Acredita-se que o aluno já traz um saber ou uma capacidade de conhecer e, por isso, o professor deve interferir o mínimo possível. “Qualquer ação que o aluno decida fazer é, a priori, boa, instrutiva. É o regime do laissez-faire: deixar fazer, que o aluno encontrará por si mesmo o caminho”.
O apriorismo fundamenta epistemologicamente este modelo, visto que considera o que vem a priori, a bagagem hereditária.
A pedagogia relacional propõe aos alunos a liberdade para explorar os materiais, com ampla troca de ideias a respeito, participação coletiva, e diferentes aspectos problemáticos propiciados pelos materiais. Neste modelo, a presença do professor não se esgota nele mesmo, mas se prolonga nas ações dos alunos, já que compreende que o aluno só construirá algum conhecimento novo, se agir e problematizar a própria ação, apropriar-se dela e de seus mecanismos íntimos. A condição prévia para isso, é que o aluno consiga assimilar o problema proposto para que responda para si mesmo, promovendo a acomodação. Assim, a aprendizagem é viabilizada pela construção de estruturas cognitivas realizadas no plano do desenvolvimento. “Professor e aluno determinam-se mutuamente, mediados pelos conteúdos. Sujeito e objeto não existem antes da ação do sujeito e não serão mais os mesmos após essa ação. A consciência não existe antes da ação do sujeito”. Becker (2012) ressalta que o suporte deste modelo se encontra na psicologia genética de Piaget, onde o aluno só construirá um conhecimento novo, se agir e problematizar sua ação.

Referência(s): BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. BECKER, Fernando. Educação e construção do conhecimento: revista e ampliada. 2 ed. Porto Alegre: Penso, 2015.

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