Analisando
o papel do educador e o perfil dos estudantes na escola1
Adriana Aparecida de Almeida
Marcolin2
A leitura do capítulo Yearnears e
Schoolers, do livro A
Máquina das Crianças, escrito
por Seymour Papert (2008), provoca o leitor a pensar sobre os
movimentos realizados pela escola nos últimos anos. Ainda,
propõe uma importante reflexão sobre a educação escolar atual e
suscita possibilidades para a escola do futuro.
Comparando
a escola de hoje com a de quarenta anos atrás, considerando as
questões sociais, históricas, culturais, econômicas e
tecnológicas, identifica-se contextos muito semelhantes,
seja no modo de ensinar ou
mesmo no modo de aprender. As instituições conservam seus prédios
com a mesma estrutura física, tendo
como referência o quadro-negro, giz, classes e cadeiras enfileiradas
e uma rotina padrão, marcada por troca de períodos dos diferentes
componentes curriculares e um pequeno intervalo no meio do período.
Políticas
de governo procuraram implementar alguns recursos tecnológicos, mas
a insuficiência de recursos financeiros para a manutenção ou
continuidade dos programas, assim com a precária infraestrutura dos
prédios escolares e uma proposta de formação conjugada a carga
horária de trabalho, tornaram os investimentos ineficazes. Como
exemplo disso, o programa um computador por aluno, quem além de
muitas limitações de hardware e software, requeria
maior quantidade de tomadas para carregá-los, assim como internet,
ambos inexistentes. Da mesma
forma, tablet para os
professores de Ensino Médio e Lousa Digital nas escolas da Rede
Estadual de Ensino estão subutilizados por falta de incentivo e
formação.
De
outra forma, também há os educadores que aproveitam as
possibilidades apresentadas pelos alunos, através de seus recursos
disponíveis, tais como, notebook,
smartphone, tablet e
outros, favorecendo a aprendizagem e dinamizando o processo de
ensino. Conforme Papert (2008, p. 21), “a
Escola precisa ser aceita por seus participantes. Ela não
sobreviverá muito além do tempo em que não se puder mais persuadir
as crianças a conceder-lhe certo grau de legitimidade.”
Assim,
a escola em dez anos poderá oferecer novas oportunidades para criar
alternativas, superando o modelo de séculos, do qual os estudantes
são receptores passivos e as informações são limitadas aos
exemplares distribuídos pelo Programa Nacional do Livro Didático.
Sem
a intenção de desmerecer, cabe
reiterar que é possível
aliar recursos e avançar nesta escola que passado um século, um
professor sente-se a vontade para trabalhar, ao contrário de outras
áreas.
Assim
como há alguns anos não existiam smartphones
e internet, é
possível que os cadernos possam ser substituídos por cadernos
digitais, tablets com
softwares
especializados, iPads, noteSlate,
ebooks, entre outros
recursos que talvez ainda nem tenham sido inventados.
Sem
esgotar o tema, verifica-se que os recursos tecnológicos são
instrumentos atrativos e gratificantes. Desta forma, é
imprescindível que a escola caminhe em sintonia com os demais
setores da sociedade, porque em tempos de competitividade e
emergência por sujeitos ativos e autônomos, ecoa um grito de
socorro para uma educação melhor.
Referências
PAPERT,
Seymour. A máquina das
Crianças: repensando a escola na era da informática. Edição Revisada. Porto
Alegre: Artmed, 2008.
1Análise
crítica da escola, do papel dos educadores e do perfil dos alunos
em diferentes tempos, considerando questões sociais, históricas,
culturais, econômicas e tecnológicas. O texto foi solicitado para
publicar no Ambiente Moodle, como atividade do componente curricular
Educação e Cultura Digital, ministrado pela docente Adriana
Ferreira Boeira.
2Mestra
em Educação. Licenciada em Pedagogia. Discente no Curso de
Especialização em Docência na Educação Básica do Instituto
Federal do Rio Grande do Sul – Campus Vacaria. E-mail:
adrianamarcolin@gmail.com
Disponível
em:
<https://caixadepandora2004.wordpress.com/category/educacao/>.
Acesso em: 03
Mar. 2019.

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